22/05: I am Near

às vezes sabe melhor assim. Fazer o disco e deixar as pessoas aos poucos levar-se pelas canções. Sem pressas, porque a pressa sempre foi inimiga dos grandes discos. Porque a primeira vez que o John ouviu o Ok Computer não lhe chamou a atenção. Eu avisei uma série de vezes, mas mesmo assim o interesse ficou de lado. O Miguel quando me mostrou o Boatman´s Call do Nick Cave e eu, sem querer dizia que o Nick Cave era só o Ship Song. estava enganado. E a Sónia quando aos poucos me foi pedindo uma e outra cassete daquilo que ouvia. Ao principio sem exagerados comentários, depois o seu walkman sony, que me emprestava durante as férias do Algarve, só rodava aquilo. Tal como nos discos às vezes temos que deixar passar o tempo. O tempo ajuda-nos. Tal como na passada semana onde conduzia o meu carro rumo a Alcobaça e surge o Are You Near no rádio, na radar... e soube-me tão bem ouvir. Porque às vezes temos que deixar passar o tempo entre nós. Porque a vida quer-se vivida com as devidas porporções. E na memória tenho os Flamimg Lips e a cara de alegria do Miguel quando soube que havia mais um fato para se mascarar, ali naquele palco já não demos por falta dos cds que ficaram em casa da Ti Aurora em New Jersey. E a felicidade do John quando ouviu o Driving you Slow pela primeira vez e me disse que já estava feito. E a alegria da Sónia quando grava o Music num só take e sai desconfiada da cabine de gravação e eu lhe disse - já está Sónia. Porque às vezes temos que dar tempo ao tempo. E a felicidade do Tiago quando lhe disse em Madrid que ele devia seguir mais à frente no palco, porque ninguem pede palmas como ele. E o Mário quando termina o concerto com a T-shirt colada ao corpo, é tão bonito isto tudo. E o Carlos das luzes que sempre foi o nosso pai. Devo-te tanto Carlos, devemos.te tanto Carlos. E o Angel que chegou sem o avisarmos que tinha pela frente tudo isto. E o Bruno e o Francisco que são os melhores porque o MIDI não tem de ser um bicho de sete cabeças, nem a guitarra que demorou a tocar no Nice and Sweet me faz desisitir. Nem a Cádia nem o Victor, nem os Brunos merecem mais que o tal abraço que tanto faz falta às vezes. Às vezes temos que dar tempo ao tempo. E o john que me falou dos MGMT há tantos meses atrás e que eu não liguei, mas que agora não me saem da cabeça. Às vezes temos que dar tempo ao tempo. Desistir é coisa que nunca soubemos tragar. Tomara termos a força e sempre o sorriso. Assim se conquista espanha dizia o Kim. Assim se conquista a familia. Assim vos digo que o melhor está mesmo mesmo para chegar.

nuno