Foi um fascinio. As terras de Espanha estão cada vez mais sincronizadas com os Gift. Mas não, não venho aqui para escrever sobre conquistas desse estilo. Santander. A noite é povoada por uma praça onde se acumulam vultos com garrafas na mão. Todos bebem, falam alto,, outros falam ainda mais alto. uns fumam, outros não, outros fumam mais ainda. há bancos de jardim. Há um casal que namora ao fundo da praça. curiosamente quer o destino que nos cruzemos por ali perto. ela está sentada ao seu colo, ele com as mãos em volta dela. ela ri-se,vejo-a de lado, sente-se que está a ser elogiada, tem um riso de mimo, um sorriso de alguém que está a ser tratada como todos deviam de ser tratados, respeito, dedicação, devoção. Ele está de costas, o seu perfil esconde o seu rosto por inteiro. Um perfil que se vai escondendo ora nos cabelos dela ora por entre uma vergonha que apesar de não ser reconhecida de imediato, sente-se que por ali está. ela sentada, ele sentado, ele de costas, ela debruçando as suas com os seus longos cabelos , ela sentada no seu colo, com as pernas à direita dele. Ele de costas..e a vergonha de um lado e o mimo do outro. E a luz que por cima deles os imumina, clara mas com toques de névoa, porque a noite está ali ao lado deles. Páro a olhar. paro e reflito naquele que possivelmente é um acto de amor que jamais me esquecerei. Ela beija-o, a cara, a testa, as mãos. ele deixa-se ser beijado, mas sinto-o longe. ao longe está tambem a mulher mais bonita do mundo. lembro-me dela porque sempre me lembro de ti, sabes disso não sabes? cheiro.a ainda na minha roupa. mas estás longe hoje. Poruqe estás longe hoje?..............volto aos dois. ela sentada ao colo dele, pernas à sua direita. ele de costas. Ela envolvendo-se nos seu corpo. os braços dela a envolverem.no. há uma ténue despedida e depois um reencontro, uma despedida, outra e outra e mais um beijo que custa ser o ultimo. vejo-lhe finalmente o perfil, ela levanta-se diz adeus com a mão uma e outra e outra e outra vez. volta a ele, como se a puxasse apenas com o olhar, está feliz. ele puxa-a com os olhos que ela beija, e a testa e de novo sentada ao colo dele. de novo se levanta, agora despede-se ainda mais uma vez, sorriso em alta. vejo.o de novo de perfil, ela despede-se, ele despede-se, ela sai do seu campo visual, ele volta-se de novo de costas para mim. enfia, com um movimento subtil de uma mão apenas, o boné na cabeça, vira-se de perfil, as suas mão fortes e precisas buscam as rodas da cadeira que o suporta. a cadeira de rodas que lhe dá a alma que mais precisa, a cadeira de rodas que faz com que ela se sente ao pé dele. A cadeira de rodas que o transporta a todo o mundo, a cadeira de rodas que nivela por cima a relação da sua vida, do seu corpo com aquilo que o rodeia. Ela está mais longe ele de cabeça baixa. olha.me nos olhos e mais uma vez ajeita o boné antes de posicionar melhor a sua vida em forma de duas rodas. Ali fica. Ali fico. Ao longe ela ainda no meu horizonte, no seu já mais longe, a caminhar com pasos curtos. cabelos compridos e ele a olhar as escadas que não consegue subir. e as escadas que não consegue subir, tantas as escadas não são?. está de costas para mim, de costas para o mundo. aquele mundo que ele não sabe o que é viver. o mundo dos anormais que são vultos iguais a todos os outros, povoando praças comuns, conversando de coisas comuns. o que pensa ele quando aqui escrevo sobre ele, onde estará, ainda na praça, mais vazia com o barulho do vento que roça nas escadarias de um instituto com ar de velho. as suas mãos rodam as rodas com força, precisão, cada mão cria um passo. ela perde-se ao longe, deu.lhe amor em troca de amor. ele ainda ali está, a cadeira dá-lhe o mundo e eu dou-lhes o momento mais romantico que assiti na minha vida. hoje fui feliz a ver-vos os dois. O anónimo amor, aquele que desconhecia ao lado dos meus olhos. ele com as suas mão rijas, roda as rodas. cada mão um novo passo. passo ao seu lado, sorrio. ele olha em frente, as costas voltadas para a praça, na memória - ela, sentada ao seu colo, ele com as mãos em volta dela. ela ri-se,vejo-a de lado, sente-se que está a ser elogiada, tem um riso de mimo riso de alguem que está a ser tratada como todos deviam de ser tratados, com amor.
23/07: amor com amor se paga...
"Os sonhos mais lindos sonhei
De quimeras mil um castelo ergui
E no teu olhar
Tonto de emoção
Com sofreguidão
Mil venturas previ
O teu corpo é luz, sedução
Poema divino cheio de esplendor
Teu sorriso prende, inebria, entontece
És fascinação, amor
Os sonhos mais lindos sonhei..."
elis regina - fascinação.
Foi um fascinio. As terras de Espanha estão cada vez mais sincronizadas com os Gift. Mas não, não venho aqui para escrever sobre conquistas desse estilo. Santander. A noite é povoada por uma praça onde se acumulam vultos com garrafas na mão. Todos bebem, falam alto,, outros falam ainda mais alto. uns fumam, outros não, outros fumam mais ainda. há bancos de jardim. Há um casal que namora ao fundo da praça. curiosamente quer o destino que nos cruzemos por ali perto. ela está sentada ao seu colo, ele com as mãos em volta dela. ela ri-se,vejo-a de lado, sente-se que está a ser elogiada, tem um riso de mimo, um sorriso de alguém que está a ser tratada como todos deviam de ser tratados, respeito, dedicação, devoção. Ele está de costas, o seu perfil esconde o seu rosto por inteiro. Um perfil que se vai escondendo ora nos cabelos dela ora por entre uma vergonha que apesar de não ser reconhecida de imediato, sente-se que por ali está. ela sentada, ele sentado, ele de costas, ela debruçando as suas com os seus longos cabelos , ela sentada no seu colo, com as pernas à direita dele. Ele de costas..e a vergonha de um lado e o mimo do outro. E a luz que por cima deles os imumina, clara mas com toques de névoa, porque a noite está ali ao lado deles. Páro a olhar. paro e reflito naquele que possivelmente é um acto de amor que jamais me esquecerei. Ela beija-o, a cara, a testa, as mãos. ele deixa-se ser beijado, mas sinto-o longe. ao longe está tambem a mulher mais bonita do mundo. lembro-me dela porque sempre me lembro de ti, sabes disso não sabes? cheiro.a ainda na minha roupa. mas estás longe hoje. Poruqe estás longe hoje?..............volto aos dois. ela sentada ao colo dele, pernas à sua direita. ele de costas. Ela envolvendo-se nos seu corpo. os braços dela a envolverem.no. há uma ténue despedida e depois um reencontro, uma despedida, outra e outra e mais um beijo que custa ser o ultimo. vejo-lhe finalmente o perfil, ela levanta-se diz adeus com a mão uma e outra e outra e outra vez. volta a ele, como se a puxasse apenas com o olhar, está feliz. ele puxa-a com os olhos que ela beija, e a testa e de novo sentada ao colo dele. de novo se levanta, agora despede-se ainda mais uma vez, sorriso em alta. vejo.o de novo de perfil, ela despede-se, ele despede-se, ela sai do seu campo visual, ele volta-se de novo de costas para mim. enfia, com um movimento subtil de uma mão apenas, o boné na cabeça, vira-se de perfil, as suas mão fortes e precisas buscam as rodas da cadeira que o suporta. a cadeira de rodas que lhe dá a alma que mais precisa, a cadeira de rodas que faz com que ela se sente ao pé dele. A cadeira de rodas que o transporta a todo o mundo, a cadeira de rodas que nivela por cima a relação da sua vida, do seu corpo com aquilo que o rodeia. Ela está mais longe ele de cabeça baixa. olha.me nos olhos e mais uma vez ajeita o boné antes de posicionar melhor a sua vida em forma de duas rodas. Ali fica. Ali fico. Ao longe ela ainda no meu horizonte, no seu já mais longe, a caminhar com pasos curtos. cabelos compridos e ele a olhar as escadas que não consegue subir. e as escadas que não consegue subir, tantas as escadas não são?. está de costas para mim, de costas para o mundo. aquele mundo que ele não sabe o que é viver. o mundo dos anormais que são vultos iguais a todos os outros, povoando praças comuns, conversando de coisas comuns. o que pensa ele quando aqui escrevo sobre ele, onde estará, ainda na praça, mais vazia com o barulho do vento que roça nas escadarias de um instituto com ar de velho. as suas mãos rodam as rodas com força, precisão, cada mão cria um passo. ela perde-se ao longe, deu.lhe amor em troca de amor. ele ainda ali está, a cadeira dá-lhe o mundo e eu dou-lhes o momento mais romantico que assiti na minha vida. hoje fui feliz a ver-vos os dois. O anónimo amor, aquele que desconhecia ao lado dos meus olhos. ele com as suas mão rijas, roda as rodas. cada mão um novo passo. passo ao seu lado, sorrio. ele olha em frente, as costas voltadas para a praça, na memória - ela, sentada ao seu colo, ele com as mãos em volta dela. ela ri-se,vejo-a de lado, sente-se que está a ser elogiada, tem um riso de mimo riso de alguem que está a ser tratada como todos deviam de ser tratados, com amor.
com amor
nuno