28/08: a tristeza de um não

Um não. Não. Começo desanimado porque nao acredito no que faço. tenho um país que respeita a música que faço, tenho outro país que desperta para aquilo que faço, mas tenho um mundo e uma estética que está mais longe de mim do que a terra da lua. Porque secalhar não sou realmente capaz. É isso, não merecemos crescer mais, porque eu luto mais que nunca mas luto sozinho... não se trata de uma luta com muitos parceiros... não tenho mais porque não merecem que tenham mais. Porque o melhor é estar em casa e esperar que alguem fale por mim, e esperar que me comprem com rosas, ou esperar que um monstro qualquer vire belo. estou farto dos muros. Sempre escrevi sobre muros. I will fight against those walls. usei isto no film, no am.fm e cada vez mais acredtio que a luta contra esses muros faz parte do passado. Estou farto das vidas dos outros. estou farto de grupos, de pessoas a quem tenho que respeitar e ouvir. Sim estou a ser egoista, às vezes faz bem rebentar pelas costuras, hoje já não grito alto, nem parto coisas, nem mando coisas à parede, simplesmente escrevo. penso, acumulo e depois, aqui estou... Estou farto. Eu aqui triste e a pensar no futuro que não acho e na estética bela que já ninguem liga, e nos refrões emocionados que já ninguem chora, e nas melodias que já ninguem canta. . .  estou farto. E as vidas decorrem por lá, na vidinha normal. "desde que não gritem comigo... já não peço flores, já as recebi". que os espinhos nos façam chorar por mais. que o futuro nos faça perceber melhor o que podiamos ter sido. nunca quis arrastar-me por aí. Nunca quis, nunca o hei-de fazer. Se um dia o fizer, é porque estou morto por dentro. . . se estás morta por dentro muda de vida. o destino não quer vitorias sobre pessoas derrotadas, muda de vida e deixa ganhar quem luta.
nuno